Intercâmbio sem limite de idade | Rose Sampaio

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Hoje começo uma categoria nova aqui no Blog, é o histórias de intercâmbio. Onde eu vou contar a histórias de pessoas que passaram (algumas anda estão presentes) pela minha vida aqui em Dublin e que de uma forma ou de outra escreveram a sua história de uma forma especial e que podem inspirar outras pessoas nas mesmas situações.

No post de hoje eu vou contar a história da Rosimar, ou somente Rose como eu conheço ela aqui em Dublin. Uma pessoa doce, simpática e que faz a melhor queijadinha que eu já experimentei na minha vida.

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Eu conheci a Rose quando a SEDA ainda ficava em Dublin 08, ela sempre com esse sorrisão no rosto e a fala doce. Claro que na hora saquei que não era só mais uma estudante comum, a Rose já não era mais uma menina. A intenção não era de vir pra cá pra festar. Tinha uma história ali. E uma nova história estava começando a ser escrita.

Rose é nascida em Cabrobó em Pernambuco, mas com 18 anos se mudou para São Paulo atrás de uma vida melhor. Viveu lá por 20 anos e após o falecimento de sua mãe, que somado com a infelicidade do trabalho, sentiu que era hora de buscar algo mais, a Rose queria um desafio. E aí o que as pessoas normais pensariam?

– Eu já não sou mais uma menina, já não posso arriscar e me aventurar. Se não estou feliz com o trabalho vou atrás de outro sem sair da minha estabilidade. Mas não a Rose. A Rose decidiu “apenas” mudar de país, simples assim. Ela veio pro desafio maior, ela veio para a Irlanda, sem falar uma palavra de inglês e sem conhecer ninguém.

No Brasil ficou a carreira estável com uma reputação respeitada nacionalmente no ramo de transportes, muitos amigos e a família. Ou seja, tudo o que dava segurança e conforto ficou pra trás. E chegando aqui já teve que mudar muito o seu estilo de vida. No começo não foi fácil, dividir apartamento com pessoas que ela nunca tinha visto antes, uma vez que ela tinha morado sozinha por muito tempo. E como a Rose chegou em Dublin sem falar inglês rolava aquela insegurança na hora de procurar emprego. No começo, como em qualquer mudança, tudo isso foi um choque, mas ao mesmo tempo isso fascinava a Rose.

E foi dando um passo de cada vez que a Rose conseguiu. Primeiro foi foco total no curso de 6 meses. E quando a Rose terminou o curso ela foi atrás de trabalho. Primeiro com um trabalhinho de Au Pair que depois de um tempo se somou a um trabalho de Cleaner na Universidade UCD e também em um banco.

E hoje, depois de 4 anos e 8 meses de paixão pela Irlanda, a vida da Rose já é outra. Ela conta porque escolheu a Irlanda:

“As pessoas são educadas, bondosas, porém o que mais pesou na minha decisão foi a qualidade de vida. Poder sair e voltar de casa, sem me preocupar em ser assaltada na esquina com uma arma na cabeça. Saber que mesmo trabalhando em um sub-emprego, no próximo feriado eu poderia estar em Paris, Londres, Amsterdam ou qualquer outro lugar que quisesse. Ter a certeza de que eu poderia frequentar o mesmo bar ou restaurante que os meus chefes, sem ter que deixar um rim lá pra pagar a conta. Qualidade de vida é eu poder ir ao estádio e ver famílias torcendo juntas, sentadas lado a lado de outras famílias do time adversário, sem o menor medo de ser agredida só pelo fato de eu torcer para o outro time. Eu optei por morar em um lugar em que eu posso ir ao mercado e sair de lá com as sacolas cheias e saber que aquilo custou menos de 3 horas do meu trabalho. Eu sou completamente apaixonada por esse país, ando pelas ruas admirando, tirando fotos, vejo tudo isso como se fosse a primeira vez!!

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Hoje a Rose é casada com o Senan, um Irlandês muito gente boa que eu tive o prazer de conhecer. Moram próximos ao centro da cidade e fazem planos de aumentar a população da Irlandinha! (Owwwnnn)

Rose já largou o Au Pair e o Moppy, hoje trabalha como Facilities Assistant em um banco aqui em Dublin. Sua principal função é deixar tudo o que está disponível para os funcionários funcionando redondinho e se estiver com algum problema ela deve reportar ao pessoal competente para o reparo.

Eu olho pra Rose hoje e vejo uma vencedora. Porque, convenhamos. Quem, com 38 anos teria coragem de jogar tudo pro alto, abrir o peito e se jogar no mundo?? Poucos né? E o principal não é nem isso. O principal é ainda vir pra um lugar totalmente desconhecido, onde se fala uma língua que ela não dominava e para enfrentar um mundo totalmente novo. E ainda por cima ser um sucesso!

A mensagem é a seguinte:

Faça o que você tem vontade, corra atrás dos seus sonhos e ouça o seu coração. O tempo passa rápido demais pra você ficar se preocupando com o que fulano ou beltrano vai pensar. Apenas faça, porque é melhor você se arrepender do que fez do que ficar pensando no que poderia ter feito.

Dublin está repleto de Roses, Marios, Gabrielas, Maronis e mais uma porrada de gente com histórias sensacionais aqui dessa terra gelada! E eu quero dar voz para todas elas.  Então se você tem uma história legal eu quero te conhecer e quero ouvir a sua história.

Agradeço especialmente para a Rose por ter o previlégio de poder contar a história dela aqui.

Até a próxima!

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